O esporte muda trajetórias. Ele tira crianças da ociosidade, dá disciplina a quem nunca teve rotina, abre caminho para atletas paralímpicos e, muitas vezes, é a única atividade extracurricular gratuita disponível em bairros de periferia. No Brasil, dezenas de organizações da sociedade civil (OSCs) usam modalidades como rugby, capoeira, surf, boxe e tênis como ferramenta de inclusão social.
Neste artigo, você vai conhecer 10 ONGs de esporte espalhadas pelo país, o que cada uma faz, onde atua e como encontrar mais informações sobre seu trabalho.
Organizações que usam o esporte como eixo central de atuação costumam buscar resultados que vão muito além da quadra ou do tatame:
Boa parte desse trabalho é viabilizado pela Lei de Incentivo ao Esporte, mecanismo que permite direcionar parte do Imposto de Renda para projetos esportivos aprovados pelo Ministério do Esporte, sem custo adicional para quem apoia.
Fundado em 2011, em São José dos Campos (SP), o Instituto Athlon é referência em paradesporto. A entidade atende mais de 370 paratletas, com idades entre 8 e 61 anos, em 11 modalidades voltadas a pessoas com deficiência física, visual, intelectual e autistas. Ao longo de mais de 13 anos de atuação, já revelou atletas com participação em Jogos Paralímpicos, campeonatos mundiais e Jogos Parapan-Americanos. Desde 2016, organiza corridas de rua gratuitas na cidade, por meio da Lei Paulista de Incentivo ao Esporte, somando mais de 20 mil participantes ao longo dos anos.
Criada em 2009 por um grupo ligado ao esporte e à educação, a Hurra! usa o rugby (na modalidade Tag, sem contato) e o golfe como ferramentas para formar professores de educação física e educar crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social. A metodologia própria se apoia nos quatro pilares da educação integral da UNESCO: aprender a ser, a conviver, a conhecer e a fazer. Em sete anos de projetos, a organização já impactou mais de 60 mil crianças e jovens e formou mais de 500 professores em escolas públicas de São Paulo.
Fundada em 2021, em Itanhaém (SP), a Associação de Surf Cibratel, por meio do Projeto Social Soul Surf, leva o surf a crianças e adolescentes de bairros afastados do mar e em situação de vulnerabilidade social. A proposta une esporte, educação ambiental e inclusão, com o mote "do mar para a vida". O projeto também organiza campeonatos locais, como o Soul Surf Itanhaém, com inscrições gratuitas para atletas da cidade.
A AMEI foi fundada em 2003, em Marília (SP), pelo professor Celso Parolisi Filho, com o objetivo de oferecer qualidade de vida e interação social a pessoas com deficiência física, auditiva, visual ou intelectual, por meio de natação, atletismo, basquete, futsal e judô. Hoje atende cerca de 300 alunos, entre linhas de trabalho social e de alto rendimento. Entre seus atletas mais conhecidos estão Daniel Martins, bicampeão mundial e campeão paralímpico no atletismo, e Alana Maldonado, medalhista de ouro em judô nas Paralimpíadas de Paris 2024.
Sediado no Rio de Janeiro, o IDEC é uma entidade privada sem fins lucrativos dedicada ao desenvolvimento do esporte e da cultura nacional. A organização atua nas três dimensões do esporte: formação, participação ao longo da vida e alto rendimento, sempre com foco em promoção da saúde e inclusão social. Entre seus projetos está a iniciação ao atletismo para crianças de 7 a 12 anos, aliando prática esportiva a conceitos de sustentabilidade e fortalecimento de laços comunitários.
Com sede em Betim (MG) e atuação desde 2015, a Associação Cidadania em Movimento trabalha em diversas frentes sociais, incluindo esporte, cultura e cidadania, sempre com o objetivo de ampliar o acesso a direitos e oportunidades para crianças, jovens e famílias da região.
Fundada em fevereiro de 2013, em Porto Alegre (RS), a AESPE oferece atividades esportivas, culturais e educacionais gratuitas a crianças e adolescentes da rede pública de ensino, com modalidades como futsal, vôlei, basquete, skate e capoeira. O objetivo vai além da técnica esportiva: a organização busca estimular potencialidades físicas, emocionais e cognitivas de cada participante. Vinicius Alves, presidente da AESPE, é um dos porta-vozes que já relatou como a digitalização da gestão de projetos ajudou a entidade a prestar contas com mais agilidade.
Criado em 2014 por Alan Duarte, morador do Complexo do Alemão (RJ), o Abraço Campeão usa boxe, luta livre e karatê para afastar crianças e jovens da violência presente na comunidade. A metodologia se apoia em quatro eixos: artes marciais, educação no contraturno escolar, apoio social (com mentoria e acompanhamento de assistente social) e liderança juvenil, por meio do grupo Geração Campeão. A trajetória de Alan já foi retratada em documentário e em reportagens internacionais.
Sediado em Sapucaia do Sul (RS) e ativo desde 2016, o Instituto Capoeira Social usa oficinas esportivas, culturais e de desenvolvimento socioemocional, com a capoeira como eixo central, para melhorar o desempenho escolar e a autoestima de crianças e adolescentes. A organização também participa de redes de formação de lideranças sociais, com o objetivo de fortalecer outras ONGs da região Sul do país.
Localizada em Ouro Branco (MG), a APAT atende crianças e adolescentes de escolas públicas por meio do tênis, com o objetivo de melhorar autoestima, disciplina e concentração através do esporte individual. A missão da entidade é atuar na promoção social, apoiando o desenvolvimento de crianças e adolescentes e garantindo a eles o acesso a cidadania, saúde e educação.
O que é uma ONG de esporte? É uma organização da sociedade civil que usa a prática esportiva, como rugby, capoeira, surf, tênis ou boxe, como ferramenta de inclusão social, educação de valores e, em muitos casos, formação de atletas de alto rendimento.
Como as ONGs de esporte conseguem recursos? As principais fontes são a Lei de Incentivo ao Esporte (federal) e leis estaduais equivalentes, doações de pessoas físicas e jurídicas, parcerias com o poder público, editais e patrocínios privados. Para entender como funciona esse mecanismo, veja o artigo sobre a Lei de Incentivo ao Esporte.
Quais esportes são mais usados por ONGs no Brasil? Rugby, capoeira, futsal, judô, natação, atletismo, boxe, surf e tênis estão entre as modalidades mais comuns em projetos sociais, sobretudo por exigirem pouca estrutura para os primeiros contatos com o público.
ONGs de esporte também atendem pessoas com deficiência? Sim. Organizações como o Instituto Athlon e a AMEI são referências em paradesporto, formando atletas paralímpicos a partir de programas de iniciação e alto rendimento.
Como apoiar uma ONG de esporte? A maioria dessas organizações aceita doações diretas, patrocínio via leis de incentivo, doação de materiais esportivos e trabalho voluntário. As informações de contato estão disponíveis nos sites de cada entidade citados neste artigo.
Se você trabalha em uma OSC ou está buscando referências de gestão para projetos esportivos e sociais, vale a pena acompanhar o nosso,blog da Bússola Social, que reúne conteúdos sobre editais abertos, tendências do terceiro setor e histórias de organizações que usam dados para crescer, como o artigo sobre ONGs inspiradoras de diferentes áreas de atuação.