No Instituto Mano Down, a busca por autonomia e inclusão sempre esteve no centro do trabalho realizado com pessoas com síndrome de Down e suas famílias. Ao longo dos anos, a organização ampliou seus atendimentos, fortaleceu programas e passou a lidar com um volume cada vez maior de informações sobre os educandos.
Com esse crescimento, surgiu um novo desafio: reunir dados que estavam distribuídos em diferentes registros e transformá-los em informações acessíveis para toda a equipe. Mais do que organizar processos, era preciso garantir uma visão completa da trajetória de cada educando e apoiar o planejamento da instituição para os próximos anos.
Foi nesse contexto que o Instituto Mano Down iniciou uma jornada de fortalecimento da sua gestão, combinando o cuidado com as pessoas atendidas e o uso da tecnologia para apoiar decisões e acompanhar resultados.
Sobre o Instituto Mano Down
O Mano Down nasceu de uma história de família. Leonardo Gontijo acompanhou de perto a trajetória do irmão caçula, Eduardo, o Dudu do Cavaco, músico com síndrome de Down que construiu uma vida com autonomia, arte e independência. Em 2011, Léo publicou o livro "Mano Down: relatos de um irmão apaixonado" e começou uma jornada para criar oportunidades reais para pessoas com síndrome de Down e outras deficiências intelectuais.
O projeto foi crescendo. Em 2015, foi formalizado como instituto sem fins lucrativos. Em 2017, passou por uma reestruturação estratégica. Hoje, opera em Belo Horizonte atendendo centenas de famílias por meio do Programa de Desenvolvimento Potencializado, que acompanha a pessoa com deficiência intelectual em todo o ciclo de vida: da intervenção precoce na infância à inclusão no mercado de trabalho na vida adulta.
As frentes de atuação são diversas: saúde, inclusão escolar, oficinas, vivências culturais e esportivas, serviço social e o Hub Incluo de empreendedorismo.
O desafio: muita informação, pouca visão
Quem trabalha no terceiro setor conhece bem essa situação. A organização cresce, os atendimentos aumentam, a equipe se amplia, e de repente as informações estão em todo lugar ao mesmo tempo, sem que ninguém consiga ter uma visão clara do todo.
No Instituto Mano Down, cada área técnica registrava o que acontecia no seu próprio espaço. A equipe de saúde tinha seus documentos. A de educação, os dela. O serviço social, os seus. Quando alguém precisava entender o percurso completo de um educando, era necessário consultar diferentes profissionais, arquivos e planilhas, um processo que consumia tempo e gerava retrabalho constante.
As consequências apareciam em vários momentos do dia a dia. Reuniões de equipe começavam com um grande esforço de alinhamento básico, porque cada área sabia bem a sua parte, mas ninguém tinha facilidade para ver o todo. Relatórios para parceiros e investidores demandavam horas de compilação manual.
E quando surgiam perguntas estratégicas simples, como quais regiões de Belo Horizonte concentram mais demanda por atendimento ou qual faixa etária tem a lista de espera mais longa, a resposta demorava muito para chegar.
O que levou à mudança
A decisão de estruturar melhor a gestão fez parte de uma virada estratégica mais ampla que o Instituto viveu a partir de 2020 e 2021. Nesse período, a organização formou um conselho consultivo com executivos do setor privado, que trouxeram tanto apoio financeiro quanto visão estratégica para o negócio. Uma das percepções que esse processo reforçou foi clara: para crescer com responsabilidade, era preciso profissionalizar a gestão das informações.
"A paixão pela causa é o que faz a instituição se mover, mas sem gestão, sem profissionalismo, aquele impacto fica restrito." Bruna Moreira Faria – Projetos Institucionais e inovação no Mano Down.
O Instituto também fez uma pesquisa em parceria com o Instituto Vox Populi para mapear o perfil da pessoa com deficiência em Belo Horizonte. Os dados reforçaram o tamanho da demanda reprimida por serviços de qualidade. E, para responder a essa demanda de forma planejada, era necessário ter uma base de informações confiável e acessível.
Foi nesse contexto que o Instituto buscou a Bússola Social. A plataforma foi adotada não como uma ferramenta isolada de tecnologia, mas como parte central da nova forma de operar.
A implementação: conectar o que estava separado
O ponto de partida foi o Programa de Desenvolvimento Potencializado, carro-chefe do Instituto. O objetivo era simples de enunciar e complexo de executar: fazer com que todas as áreas técnicas que atuam com um mesmo educando passassem a registrar suas intervenções em um único ambiente, conectado ao perfil daquela pessoa.
Cada equipe, saúde, educação, serviço social, passou a operar dentro da plataforma. O histórico de um educando foi deixando de existir em documentos paralelos e passou a viver em um lugar só. Qualquer profissional autorizado consegue acessar desde o processo de acolhimento inicial até as intervenções mais recentes e o plano de desenvolvimento em curso.
A área de projetos institucionais e inovação teve papel central nessa transição, tanto na estruturação inicial quanto na sustentação do uso ao longo do tempo. A adaptação da rotina foi gradual, mas a percepção da equipe foi de que, uma vez integrada, a mudança foi uma virada de chave na forma de trabalhar.
Como a plataforma funciona no dia a dia
Com a Bússola Social em operação, o Instituto Mano Down passou a usar os dados de uma forma que antes simplesmente não era possível.
O acompanhamento individual de cada educando ganhou uma profundidade nova. Desde o momento em que uma família chega ao Instituto, passando pelo acolhimento, pelas intervenções de saúde, pelo apoio na inclusão escolar e pelo plano de desenvolvimento personalizado, tudo fica registrado e acessível. A equipe técnica consegue ver o percurso completo de cada pessoa atendida sem depender de consultas paralelas.
Na gestão do programa como um todo, o Instituto passou a ter respostas rápidas para perguntas que antes levavam dias:
- Quantos educandos estão ativos hoje?
- Quais regiões de Belo Horizonte concentram mais atendimentos?
- Qual a faixa etária com maior demanda?
- Qual o tamanho atual da lista de espera?
Essas informações saíram dos bastidores e passaram a estar disponíveis de forma direta, orientando decisões de planejamento e expansão.
A lista de espera, por exemplo, deixou de ser um número difuso e se tornou um dado de gestão. O Instituto consegue enxergar quantas famílias estão aguardando atendimento, entender o perfil dessa demanda e planejar o crescimento da capacidade com base em dados reais.
Os resultados: antes e depois
A transformação mais visível está na qualidade das informações disponíveis para gestão. Antes da Bússola Social, os dados existiam, mas não se conversavam. Cada área tinha o seu pedaço do quebra-cabeça, e montar a imagem completa exigia esforço manual considerável. Depois, as peças passaram a se encaixar automaticamente.
O tempo gasto para gerar relatórios caiu. A prestação de contas para parceiros e investidores ficou mais ágil. As reuniões de equipe passaram a começar com o alinhamento já feito, porque as informações estão acessíveis para quem precisa delas. E as decisões estratégicas, antes baseadas em percepção, passaram a ter apoio de dados concretos.
Mas talvez o resultado mais relevante seja o que está em curso agora. O Instituto já organizou suas informações. Já tem uma base de dados estruturada e integrada. E está dando o próximo passo: usar esses dados para gerar inteligência, identificar padrões, antecipar necessidades e tomar decisões de crescimento com mais fundamento. É a passagem de uma gestão que organiza para uma gestão que analisa e planeja.
Bruna Faria, da área de Projetos Institucionais e Inovação do Instituto Mano Down, resume bem o que mudou:
"No primeiro momento, a gente organizou as informações. Hoje, a gente tem essas informações integradas e agora já começa a analisar esses dados para pensar em futuro. É sair da organização da informação para uma análise de dados mais complexa, que vai dar mais inteligência para a instituição."
Ela também explica o princípio que guia essa transformação: "A paixão pela causa é fundamental, é o que faz a instituição se mover. Mas sem gestão, sem profissionalismo, aquele impacto fica restrito. É a paixão, mais a gestão, mais o planejamento, mais o pensamento estratégico que vai fazer com que esse impacto consiga ser ampliado."
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Relatórios de oficinas: Crie relatórios com frequência e carga horária de todas as atividades desenvolvidas em grupos, aulas, workshops e eventos.
Participação individual: Acompanhe a participação individual de cada atendido nas atividades e tenha uma visão detalhada para a sua equipe.
Atendimentos: Monitore os atendimentos realizados e realize análises detalhadas com base no tipo de atendimento ou no profissional responsável.
Histórico dos atendidos: Acesse todo o histórico de atendimentos recebidos, ações realizadas e anotações relacionadas aos atendidos da instituição.
Perfil dos atendidos: Consulte informações detalhadas sobre o perfil socioeconômico dos atendidos, incluindo faixa etária, gênero, cor da pele, escolaridade, renda familiar, entre outros.