Instituto Aço Cearense amplia gestão de impacto
Veja como o Instituto Aço Cearense aprimorou o acompanhamento de projetos sociais com a Bússola Social e fortaleceu sua gestão de impacto.
Janicleia Araujo ·
O Instituto Aço Cearense ampliou o acompanhamento de dezenas de projetos sociais em três estados ao centralizar a gestão com a Bússola Social. A plataforma digitalizou a prestação de contas, trouxe dados em tempo real e fortaleceu o monitoramento de შედეგados, visitas técnicas e satisfação dos beneficiários.
O Instituto Aço Cearense construiu, ao longo de 16 anos de atuação, uma estratégia de investimento social que conecta apoio a organizações, acompanhamento de projetos e gestão de resultados. Presente no Ceará, no Pará e no Tocantins, o instituto acompanha dezenas de iniciativas sociais com o sistema Bússola Gestão.
Para entender essa trajetória, entrevistamos Luciana Rabelo, coordenadora do instituto há 11 anos e profissional com 24 anos de experiência no terceiro setor, e Catarine Dias, assistente social responsável pelo acompanhamento administrativo dos projetos e pela agenda ESG do grupo.
A entrevista apresenta a evolução do modelo de atuação do instituto, que estruturou processos de monitoramento para acompanhar projetos, resultados e impactos gerados nas comunidades atendidas. Confira!
Conheça o Instituto Aço Cearense
O Instituto Aço Cearense é o braço social do Grupo Aço Cearense, empresa com mais de 47 anos de atuação no Brasil e presença também em mercados internacionais. O investimento social começou há 16 anos, quando passou a direcionar parte dos resultados da empresa para as comunidades no entorno de suas oito unidades, instaladas no Ceará, no Pará (em Marabá) e no Tocantins.
Atualmente, o instituto atende projetos focados em áreas estratégicas alinhadas a nove Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU):
- Educação e Esporte: Desenvolvimento integral de crianças e adolescentes.
- Assistência Social e Saúde: Apoio a famílias em vulnerabilidade extrema.
- Empreendedorismo e Meio Ambiente: Geração de renda local e sustentabilidade.
O apoio acontece por aporte direto, por projetos incentivados e também por ações próprias, desenvolvidas internamente com colaboradores e comunidade.
Os desafios de acompanhar dezenas de projetos em três estados
Com o crescimento do número de organizações apoiadas, o instituto passou a lidar com desafios de escala. Luciana resume três deles:
- Garantir que o investimento realmente chegue à ponta, ou seja, que o recurso repassado se converta em ações concretas na execução dos projetos.
- Garantir que os beneficiários sejam protagonistas, participando de fato das atividades propostas, e não apenas constando em relatórios.
- Garantir uma gestão transparente e eficiente dentro de cada organização apoiada, sem viés político-partidário e com compromisso da equipe.
Para garantir um acompanhamento próximo dos projetos, o instituto estruturou uma rotina que une tecnologia e relacionamento com as instituições apoiadas. Com a Bússola Social, a equipe passou a centralizar o acompanhamento dos projetos em uma única plataforma, reduzindo a dependência de controles manuais e facilitando a visualização das informações enviadas pelas organizações. Os dados registrados no sistema de monitoramento são complementados por visitas técnicas e pesquisas trimestrais de satisfação com beneficiários. Com essa visão integrada, é possível acompanhar a evolução das iniciativas, identificar desafios e direcionar os próximos passos.
Como era o monitoramento antes da Bússola Social
Antes de adotar um sistema, o acompanhamento das organizações apoiadas era feito por formulário e planilha de Excel, enviados por e-mail. As organizações comprovavam o uso dos recursos enviando notas fiscais e recibos escaneados, ou, em muitos casos, enviando envelopes físicos com os comprovantes.
Luciana descreve como era a rotina com 15 instituições no início:
"A gente recebia desses 15 projetos envelopes com as xerox das prestações de conta, xerox de recibo, nota fiscal, e a gente colocava aquele bolo de papel e ficava aquele volume muito grande."
Em alguns casos, quando a organização ficava em outro município, o envio dos comprovantes exigia até o deslocamento de um carro carregando o pacote de papéis. A adoção da plataforma da Bússola Social digitalizou esse processo e trouxe as informações para tempo real, permitindo à equipe abrir o sistema e visualizar a prestação de contas, os alunos atendidos e as atividades realizadas no mesmo dia em que foram registradas.
Além de substituir o fluxo baseado em documentos físicos, a plataforma criou uma rotina mais organizada de acompanhamento, permitindo que a equipe tivesse uma visão consolidada dos projetos apoiados.
A estratégia dos pontos focais
Um dos aprendizados mais importantes do Instituto Aço Cearense foi a criação da figura do ponto focal: uma pessoa dentro de cada organização apoiada, indicada pelo próprio coordenador, responsável por alimentar o sistema com as informações do projeto.
A lógica por trás dessa estratégia:
- Coordenadores de ONGs acumulam funções, entre gestão financeira, captação de recursos e atendimento direto, e raramente têm tempo disponível para alimentar um sistema com frequência.
- Delegar essa responsabilidade a uma pessoa dedicada aumenta a chance de as informações chegarem completas e no prazo.
- O instituto criou uma rede de comunicação entre os pontos focais de todas as organizações, com grupo de WhatsApp, tutoriais em vídeo e trocas de dúvidas entre pares.
- Quando um ponto focal deixa a organização, o coordenador precisa indicar um substituto imediatamente, para que o conhecimento não se perca.
Catarine, que ficou à frente da implementação desse modelo, reforça que cada organização tem um perfil diferente, e que o instituto precisou ouvir os pontos focais para adaptar o próprio sistema às particularidades de cada projeto.
De doação pontual para investimento social monitorado
Ao longo de sua trajetória, o Instituto Aço Cearense passou por uma transformação na forma de conduzir seu investimento social. O modelo baseado em ações filantrópicas pontuais deu espaço para uma estratégia mais estruturada, com acompanhamento de projetos, definição de objetivos e análise dos resultados gerados pelas iniciativas apoiadas.
Essa mudança trouxe uma nova perspectiva sobre o papel do investimento social: mais do que destinar recursos, era necessário compreender como eles contribuíam para transformar realidades e fortalecer organizações nos territórios onde o grupo atua.
“A gente não doa por doar porque a gente quer doar, a gente investe no social porque a gente quer ver as transformações, as iniciativas, e multiplicar essas iniciativas para que a gente comece a observar os impactos sociais”, explica Luciana Rabelo.
A evolução na gestão também fortaleceu o diálogo com os acionistas do grupo. Com resultados acompanhados e documentados, o instituto passou a ter uma visão mais estratégica sobre seus investimentos, ampliando a capacidade de planejar novos ciclos de apoio e alcançar mais organizações e comunidades.
Uma implementação gradual, construída em conjunto com as organizações
Colocar 15, e depois dezenas, de organizações para adotar um sistema novo não aconteceu da noite para o dia. O processo de adaptação levou cerca de dois anos e meio:
- 2023: ano dedicado a ensinar as organizações a usar a plataforma, com treinamentos presenciais e online, muitas vezes levando o próprio notebook até as instituições.
- 2024: as organizações começaram a inserir informações no sistema com mais regularidade.
- 2025: o instituto passou a ter dados consistentes, com mais de 80% das organizações apoiadas com prestação de contas ativa e aprovada dentro do sistema.
Uma das dificuldades mais recorrentes foi a rotatividade de voluntários: muitas organizações contam apenas com voluntariado para operar, e cada troca de pessoa exigia recomeçar o treinamento do zero. O instituto respondeu a esse desafio ampliando o suporte, com tutoriais organizados, atendimento por videoconferência e, quando necessário, visitas presenciais até as instituições, incluindo gestores de mais idade que nunca haviam usado um sistema digital antes.
Os resultados obtidos ao longo do caminho
Olhando para o antes e o depois, os ganhos em diferentes frentes são notáveis, tanto para o instituto quanto para as organizações apoiadas:
- Tempo. O trabalho manual de conferência de papéis, que consumia dias, foi substituído por um fluxo digital de envio e aprovação.
- Redução de impacto ambiental. Menos impressão de notas fiscais e recibos, menos deslocamento físico de documentos.
- Padronização. As organizações passaram a prestar contas seguindo o mesmo formato, o que facilita a análise comparativa entre projetos.
- Visão sistêmica. O instituto acompanha, em um único lugar, indicadores de execução, beneficiários atendidos e valores investidos.
- Autonomia das organizações. Com os dados organizados, as próprias ONGs conseguem usar essas informações para buscar outros investidores, participar de editais e divulgar resultados em redes sociais.
- Acesso à Central de Editais. Dentro da plataforma, as organizações parceiras também encontram outras oportunidades de captação de recursos, ampliando suas fontes de financiamento além do Instituto Aço Cearense.
Atualmente, o instituto acompanha 50 projetos credenciados e passa por um momento de expansão, com a entrada de novas iniciativas apoiadas pelo primeiro edital público.
Assista a entrevista completa:
Perguntas frequentes
Como o Instituto Aço Cearense faz o acompanhamento dos projetos sociais apoiados?
O instituto usa a Bússola Social para centralizar os dados dos projetos em uma única plataforma, combinando monitoramento digital, visitas técnicas e pesquisas trimestrais de satisfação com beneficiários.
Quais eram os principais desafios do instituto antes da Bússola Social?
O acompanhamento era feito por formulários, planilhas e e-mails, com muitos documentos físicos. Isso gerava volume de papel, lentidão e dificuldade para visualizar rapidamente a prestação de contas e os resultados.
Que tipo de apoio o Instituto Aço Cearense oferece às organizações?
O apoio acontece por aporte direto, projetos incentivados e ações próprias. As iniciativas priorizam educação e esporte, assistência social e saúde, empreendedorismo e meio ambiente, alinhadas a nove ODS.
Por que o instituto precisava de um sistema de monitoramento mais estruturado?
Porque passou a acompanhar dezenas de projetos em três estados e precisava garantir que o recurso chegasse à ponta, que os beneficiários fossem protagonistas e que a gestão das organizações fosse transparente e eficiente.
Em quais estados o Instituto Aço Cearense atua?
O instituto atua no Ceará, no Pará, em Marabá, e no Tocantins, acompanhando iniciativas sociais nas regiões onde o grupo tem unidades.