Gestão no Terceiro setor

Relatório de atividades de ONG: passo a passo para fazer

Publicado 01 de Abril de 2026
11 min. de leitura

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Você já sentiu que sua ONG faz coisas incríveis, mas na hora de contar para os outros, tudo vira uma sopa de números ? O relatório de atividades é o documento que reúne tudo o que a ONG realizou em um período, com dados sobre ações, uso de recursos e resultados alcançados. Para fazer, é preciso organizar informações ao longo do tempo, registrar despesas corretamente e estruturar os dados de forma que qualquer pessoa consiga entender o que foi feito.

Esse documento não serve só para registro interno. Ele é usado para prestação de contas, envio para parceiros e acompanhamento dos projetos.

Neste artigo, você vai entender como montar esse documento de um jeito simples, visual e que passa total confiança.

O que é o relatório de atividades (e por que ele importa)?

Basicamente, o relatório de atividades é o "balanço do ano" da sua organização. É onde você mostra o que prometeu, o que fez e o que alcançou. Ele serve para prestar contas, mas também para celebrar as vitórias com quem apoia a causa.

O que não pode faltar no seu documento:

  • A cara da ONG: Quem são vocês e o que move a equipe.
  • Resultados reais: Esqueça apenas "fizemos eventos". Use "atendemos 50 famílias".
  • Transparência financeira: De onde veio e para onde foi cada centavo.
  • Histórias: Um depoimento vale mais do que dez tabelas.

Quando a ONG trabalha com recursos públicos ou parcerias formais, o nível de exigência sobre esses registros aumenta. Não basta relatar ações. É preciso mostrar como os recursos foram utilizados.

O Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil (Lei 13.019/2014) define regras para essas parcerias e exige transparência na execução dos recursos, com registros e documentos que permitam acompanhar os gastos ao longo do projeto.

Por isso, o relatório não começa apenas quando você decide escrevê-lo. Ele começa no dia a dia da operação.



Onde as ONGs costumam errar?

1. Falta de comprovação

Registrar uma despesa sem nota fiscal ou recibo pode parecer um detalhe pequeno, mas compromete todo o relatório.

Sem comprovante, o gasto não pode ser validado. Em parcerias com poder público ou editais, isso pode levar à reprovação da prestação de contas.

2. Informações incompletas

Anotar apenas o valor não resolve. Sem contexto, o dado perde utilidade.

Exemplo:

  • “R$ 300” não diz nada
  • “R$ 300 em materiais para oficina do Projeto X” já permite entender o uso

Quando faltam informações, alguém vai precisar voltar nesse dado depois. E muitas vezes já não há mais como recuperar o detalhe.

3. Dados espalhados

Parte das informações está em planilhas, outra em e-mails, outra com alguém da equipe.

Esse cenário gera:

  • divergência de números
  • dificuldade para consolidar dados
  • perda de tempo na montagem do relatório

4. Atualização atrasada

Deixar para registrar tudo no fim do mês é um dos erros mais comuns.

Com o tempo, a equipe esquece:

  • para qual projeto foi a despesa
  • o motivo do gasto
  • onde está o comprovante

O resultado é um relatório incompleto ou com informações inconsistentes.

 Falta de padrão

Cada pessoa registra de um jeito diferente.

Isso dificulta a leitura e torna o relatório confuso, principalmente quando os dados precisam ser agrupados.

Às vezes, na vontade de fazer algo bonito, a gente acaba esquecendo o que importa. Veja o resumo dos pontos de atenção:

O erro

Por que é ruim?

Como fazer melhor

Texto muito longo

As pessoas param de ler na segunda página.

Use tópicos e frases curtas. Vá direto ao ponto.

Esconder os problemas

Ninguém acredita que tudo foi perfeito.

Conte os desafios e como vocês aprenderam com eles.

Não usar fotos

O relatório parece um contrato jurídico.

Mostre o dia a dia. Rostos geram conexão emocional.

Dados bagunçados

Passa amadorismo e gera desconfiança.

Use gráficos simples. Menos é mais.

Como evitar esses erros no relatório de atividades

1. Defina um padrão de registro

Antes de tudo, a equipe precisa seguir o mesmo modelo.

Um registro completo deve incluir:

  • data

  • tipo de despesa

  • projeto relacionado

  • descrição do gasto

  • valor

  • comprovante

Com isso, os dados já entram organizados e prontos para uso no relatório.

2. Centralize as informações

Manter dados em vários lugares aumenta o risco de erro.

O ideal é usar um único sistema ou base onde tudo seja registrado.

Pense na rotina:
se alguém pedir uma informação hoje, sua equipe consegue encontrar em poucos segundos?

Se a resposta for não, o problema não está no relatório. Está na forma como os dados estão sendo guardados.

3. Registre as informações no momento em que acontecem

Deixar para depois costuma gerar falhas.

Quando o registro é feito na hora, a informação entra completa:

  • o que foi pago

  • por qual motivo

  • em qual atividade ou projeto

  • com qual comprovante

Com o passar dos dias, esses detalhes se perdem.

Um exemplo comum:
uma compra feita para uma oficina é registrada dias depois, sem vínculo com o projeto. Na hora de montar o relatório, ninguém sabe explicar aquele gasto.

Registrar no momento certo evita esse tipo de situação e reduz retrabalho.

4. Organize os comprovantes

Não basta guardar documentos. Eles precisam estar vinculados às despesas.

Digitalizar recibos e notas fiscais facilita o acesso e evita perda de informação.

O Tribunal de Contas da União exige documentos comprobatórios para validar gastos em recursos públicos
Fonte: https://portal.tcu.gov.br

Sem isso, o relatório pode até estar bem escrito, mas não se sustenta.

5. Revise antes de fechar o relatório

Antes de finalizar, faça uma checagem completa.

Perguntas que ajudam:

  • Todos os gastos estão registrados?

  • Os valores batem com os comprovantes?

  • Existe alguma despesa sem descrição?

  • Os dados estão organizados por projeto?

Essa revisão evita ajustes de última hora e melhora a consistência do documento.

Como fazer seu relatório passo a passo

Defina o período e o objetivo do relatório

Antes de começar, deixe claro:

  • qual período será analisado
  • para quem esse relatório será enviado

Não é a mesma coisa escrever para uso interno ou para um financiador.
Quem vai ler precisa conseguir entender rapidamente o que foi feito e com quais resultados.

Organize os projetos e ações realizadas

Liste todos os projetos ativos no período.

Depois, detalhe cada um:

  • quais atividades foram executadas
  • com que frequência
  • em qual contexto aconteceram

Exemplo:
em vez de “realização de oficinas”, descreva:
“8 oficinas de capacitação realizadas ao longo de fevereiro, com encontros semanais”

Isso evita interpretações vagas e melhora a leitura.

Consolide os dados financeiros por projeto

Aqui é onde muitos relatórios falham.

Não basta listar despesas soltas. É preciso conectar cada gasto a um projeto ou atividade.

Estruture assim:

Projeto

Receita

Despesa

Descrição

Projeto A

R$ 50.000

R$ 42.000

Oficinas e materiais

Inclua também:

  • origem dos recursos (edital, doação, parceria)
  • tipo de despesa (equipe, materiais, transporte, etc.)

Isso ajuda quem lê a entender como o recurso foi distribuído.

Apresente os resultados com dados mensuráveis

Essa é a parte que mostra o impacto do trabalho.

Evite descrições genéricas. Use números sempre que possível:

  • quantidade de pessoas atendidas
  • número de atividades realizadas
  • evolução ao longo do período

Exemplo:
“120 jovens participaram das atividades, com média de 30 por encontro”

Pergunta que ajuda aqui:
alguém de fora conseguiria entender o que mudou com essas ações?

Inclua evidências que sustentem as informações

O relatório não deve depender só de texto. Tenha uma pasta com fotos, depoimentos e planilhas de gastos sempre à mão. Segundo dados do Mapa das OSCs, a transparência ajuda a organização a se manter regular perante a lei e a sociedade.

Adicione:

  • fotos das atividades
  • listas de presença
  • registros internos
  • documentos relacionados

Esses materiais reforçam o que foi descrito e ajudam em auditorias ou revisões.

Faça uma análise breve do período

Além de descrever, vale explicar o que aconteceu.

Inclua pontos como:

  • o que funcionou bem
  • dificuldades encontradas
  • ajustes feitos ao longo do projeto

Exemplo:
queda de participação em um mês, mudança de local, adaptação de cronograma.

Isso mostra acompanhamento real das atividades.

Revise e padronize o documento

Antes de finalizar, revise tudo com atenção.

Cheque:

  • dados financeiros
  • consistência das informações
  • linguagem usada ao longo do texto

Um relatório com dados corretos, mas mal organizado, ainda gera dúvida.

Perguntas frequentes

Como saber se um relatório de atividades está completo?

Um relatório de atividades está completo quando consegue responder três pontos sem gerar dúvidas: o que foi feito, quanto foi gasto e quais resultados foram alcançados. Além disso, as informações precisam estar conectadas entre si, ou seja, cada atividade deve ter relação com os dados financeiros e com os resultados apresentados. Se alguém que não participou do projeto consegue entender tudo apenas lendo o documento, é um bom sinal de que o relatório de atividades está bem estruturado.

Quais erros mais prejudicam um relatório de atividades?

Os erros que mais comprometem um relatório de atividades estão ligados à falta de organização dos dados. Entre os principais estão despesas sem comprovante, informações incompletas, gastos que não estão vinculados a um projeto e números que não fecham. Esses problemas dificultam a leitura e podem gerar questionamentos, principalmente quando o relatório de atividades é usado em prestação de contas.

Qual é o tamanho ideal de um relatório de atividades?

O tamanho de um relatório de atividades pode variar de acordo com o projeto e o período analisado. No entanto, mais importante do que a quantidade de páginas é a qualidade das informações. Um relatório de atividades precisa trazer dados suficientes para explicar o que foi feito, sem repetições ou trechos genéricos. Quando o conteúdo está bem organizado, mesmo um relatório mais longo continua fácil de acompanhar.

Por que usar indicadores em um relatório de atividades?

O uso de indicadores em um relatório de atividades ajuda a mostrar resultados de forma mais objetiva. Em vez de apenas descrever ações, o relatório de atividades passa a apresentar números que mostram alcance, participação e evolução ao longo do tempo. Isso facilita a comparação entre períodos e permite que quem lê entenda melhor o impacto das atividades realizadas.

PUBLICADO 01 de Abril de 2026
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