Em algum momento, quase toda organização social começa a sentir que a forma de trabalhar já não acompanha o ritmo das atividades. As informações ficam espalhadas em várias planilhas, a prestação de contas exige um esforço enorme e encontrar um dado específico pode levar mais tempo do que deveria.
Adotar um software para o terceiro setor costuma ser um passo natural quando a operação cresce. A tecnologia ajuda a centralizar informações, acompanhar resultados com mais clareza e dar mais segurança na hora de prestar contas para parceiros e financiadores.
Neste artigo, você vai entender o que é um software para o terceiro setor, reconhecer os sinais de que sua organização pode precisar dessa mudança, conhecer os principais tipos de sistemas e descobrir como escolher a opção mais alinhada ao seu momento.
Um software para o terceiro setor é uma plataforma tecnológica desenvolvida especificamente para atender as necessidades de organizações sem fins lucrativos, como ONGs, OSCs (Organizações da Sociedade Civil), institutos, fundações e associações.
Diferente de sistemas empresariais tradicionais voltados para o lucro, esses softwares foram criados para resolver desafios específicos do setor social:
Um bom software de gestão social centraliza informações, automatiza processos repetitivos e fornece dados em tempo real para tomada de decisão. Ele funciona como um hub que conecta todas as áreas da organização, desde a coordenação pedagógica até a área financeira.
Muitas organizações começam usando ferramentas genéricas como planilhas do Google Sheets ou Excel. Embora funcionem no início, essas soluções não foram projetadas para as complexidades do terceiro setor.
Planilhas:
Software especializado para terceiro setor:
Ferramentas especializadas, como a Bússola Social, foram desenvolvidas com base na experiência real de organizações sociais brasileiras e atendem diretamente às demandas do setor.
Antes de identificar os sinais de que você precisa de um software, vale entender por que tantas organizações adiam essa decisão:
Esse é um dos argumentos mais comuns. A lógica parece fazer sentido: por que gastar com tecnologia se podemos usar esse dinheiro diretamente nas ações?
O problema dessa visão é que ela ignora o custo invisível da ineficiência. Quando sua equipe gasta 20 horas por mês apenas organizando planilhas, essas são 20 horas que não estão sendo usadas para atender mais pessoas ou captar mais recursos.
Um software de gestão não tira dinheiro dos beneficiários, ele multiplica a capacidade da organização de gerar impacto ao liberar tempo da equipe e aumentar a captação através de prestação de contas mais transparente.
Softwares modernos para o terceiro setor são desenvolvidos com foco em usabilidade. Não é necessário ter conhecimento técnico avançado para operá-los.
Além disso, boas plataformas oferecem suporte e capacitação, como mostra o exemplo da Bússola Social, que disponibiliza treinamentos gratuitos para organizações parceiras.
Esse pensamento cria um ciclo vicioso: você não implementa porque está ocupado, mas continua ocupado justamente porque não tem ferramentas que automatizem processos.
A implementação de um software exige investimento de tempo inicial, mas o retorno vem rapidamente através da redução de tarefas repetitivas.
O mercado de tecnologia para o terceiro setor cresceu significativamente nos últimos anos. Existem soluções específicas para diferentes portes e necessidades de organizações.
Mais adiante neste artigo, você conhecerá os principais tipos de software disponíveis e como avaliar qual se encaixa melhor no seu contexto.
Veja agora os principais indicadores de que chegou o momento de investir em tecnologia de gestão:
Tem uma planilha para controle de beneficiários, outra para frequência em oficinas, uma terceira para controle financeiro e mais uma para gestão de doadores. Quando precisa cruzar informações, precisa abrir vários arquivos e fazer cálculos manuais.
Por que isso é um problema: Dados espalhados aumentam o risco de inconsistências, duplicações e erros. Além disso, consome tempo valioso da equipe para consolidar informações.
Como um software resolve: Sistemas de gestão integrados centralizam todas as informações em um único lugar. Organizar dados de forma estruturada facilita a prestação de contas e a tomada de decisão.
Quando chega o prazo de enviar relatórios para financiadores, você entra em pânico. Precisa buscar informações com diferentes pessoas da equipe, consolidar dados manualmente e rezar para que nada esteja errado.
Por que isso é um problema: Prestação de contas atrasada ou mal feita compromete a credibilidade da organização e pode resultar em perda de financiamento.
Como um software resolve: Plataformas especializadas geram relatórios automaticamente a partir dos dados registrados no dia a dia. A prestação de contas se torna parte da rotina, não um evento estressante de última hora.
Sabe quantas pessoas atendeu, mas não tem dados concretos sobre as transformações geradas. Perguntas como "quantos beneficiários melhoraram suas condições de vida?" ou "qual a taxa de conclusão dos nossos cursos?" ficam sem resposta.
Por que isso é um problema: Sem dados de impacto, fica difícil comprovar resultados, ajustar estratégias e atrair novos financiadores que cada vez mais exigem demonstração de resultados.
Como um software resolve: Sistemas de gestão social permitem acompanhar indicadores em tempo real e transformar dados brutos em informações relevantes sobre impacto.
Você não sabe quando cada doador contribuiu pela última vez, qual canal de captação foi mais bem-sucedido ou quais doadores estão inativos. Campanhas são repetidas sem análise de desempenho.
Por que isso é um problema: Sem gestão adequada de relacionamento, você perde oportunidades de fidelização e não consegue personalizar a comunicação com apoiadores.
Como um software resolve: Funcionalidades de CRM (gestão de relacionamento) permitem registrar histórico completo de doações, automatizar comunicações e melhorar estratégias de captação de recursos.
Dados sobre beneficiários são compartilhados em grupos de mensagem. Documentos importantes são enviados por e-mail pessoal. Quando alguém sai de férias ou deixa a organização, leva consigo informações não registradas em lugar nenhum.
Por que isso é um problema: Dependência de canais informais cria riscos de perda de informação, dificulta rastreabilidade e compromete a segurança de dados pessoais (LGPD).
Como um software resolve: Centraliza toda comunicação relacionada a projetos e beneficiários em plataforma segura, com controle de acesso e histórico completo.
Nem todo software resolve todos os problemas. Entenda os principais tipos disponíveis:
O que é:
Uma solução desenvolvida para organizar informações, acompanhar projetos e apoiar a prestação de contas.
Para quem serve:
Organizações sociais e investidores que precisam de mais clareza sobre dados, resultados e execução dos projetos.
Principais funcionalidades:
Exemplo:
A Bússola Social é uma plataforma que apoia a gestão do impacto social, conectando dados à tomada de decisão.
O que é: Sistema focado em gestão de relacionamento com doadores e financiadores.
Para quem serve: Organizações que dependem fortemente de doações individuais ou que gerenciam muitos apoiadores.
Principais funcionalidades:
Algumas organizações usam CRMs empresariais adaptados, mas há estratégias específicas para captação no terceiro setor que funcionam melhor com ferramentas especializadas.
O que é: Sistema dedicado a medir e comprovar impacto social.
Para quem serve: Organizações que precisam demonstrar resultados concretos para financiadores ou que trabalham com metodologias de impacto.
Principais funcionalidades:
É possível alinhar projetos sociais aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável através de sistemas de M&A adequados.
O que é: Ferramenta para planejamento, acompanhamento e controle de projetos sociais.
Para quem serve: Organizações que executam múltiplos projetos simultaneamente ou que participam de editais frequentemente.
Principais funcionalidades:
Organizações que participam de editais de financiamento se beneficiam muito desse tipo de sistema.
O que é: Sistema especializado em gestão de recursos financeiros.
Para quem serve: Organizações que precisam de controle rigoroso de fluxo de caixa e prestação de contas financeira.
Principais funcionalidades:
O que é: Sistema para organizar e engajar voluntários.
Para quem serve: Organizações que dependem fortemente de trabalho voluntário.
Principais funcionalidades:
|
Tipo de Software |
Melhor para |
Investimento típico |
Complexidade de uso |
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Sistema de gestão |
Organizações de médio a grande porte |
Médio |
Média |
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CRM para Captação |
ONGs focadas em doações recorrentes |
Baixo a médio |
Baixa |
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M&A (Monitoramento) |
Projetos que exigem comprovação de impacto |
Médio |
Média |
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Gestão de Projetos |
Organizações que participam de editais |
Baixo a médio |
Baixa |
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Financeiro/Contábil |
ONGs com múltiplas fontes de recursos |
Médio |
Alta |
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Gestão de Voluntários |
Organizações com grande base de voluntários |
Baixo |
Baixa |
Veja o que mudou em organizações que adotaram software para terceiro setor:
Desafio: Gerenciar mais de 1.100 famílias e 800 educandos sem perder qualidade no atendimento.
Solução: Implementação da Bússola Social
Resultados:
Desafio: Comprovar impacto para ganhar reconhecimento nacional.
Solução: Uso de sistema de gestão para organização de dados e evidências de impacto
Resultados:
Desafio: Economizar tempo na gestão e atrair mais apoiadores.
Solução: Implementação de software de gestão integrado
Resultados:
Os exemplos mostram um ponto em comum: à medida que a organização cresce, a gestão precisa acompanhar esse movimento.
Estruturar dados, facilitar a prestação de contas e acompanhar resultados com clareza deixa de ser apenas uma melhoria operacional e passa a apoiar decisões mais seguras para o futuro da organização.
Avaliar como a tecnologia pode apoiar esse processo é um passo natural para OSCs que buscam mais organização, previsibilidade e confiança na gestão.